sexta-feira, julho 08, 2005

"O Zahir", de Paulo Coelho

Amore Mio


“É simples”, responde o velho. “Elas estão presas à sua história pessoal. Toda a gente acredita que o objectivo desta vida é seguir um plano. Ninguém se pergunta se esse plano é seu ou foi criado por outra pessoa. Acumulam experiências, memórias, coisas, ideias dos outros, que é a mais do que conseguem suportar. E, portanto, esquecem os seus sonhos.”
(…)
“O conhecimento acumulado serve para cozinhar, não gastar mais do que se ganha, abrigar-se no Inverno, respeitar alguns limites, saber para onde vão certas linhas de comboio e autocarros. No entanto, acredita que os seus amores passados a ensinaram a amar melhor?”
“Ensinaram-me a saber o que desejo.”
“Não lhe perguntei isso. Os seus amores passados ensinaram-na a amar melhor o seu marido?”
“Pelo contrário. Para me poder entregar completamente a ele, tive de esquecer as cicatrizes que outros homens deixaram. É isso que o senhor está a falar?”
“Para que a verdadeira energia do amor possa atravessar a sua alma, ela tem de a encontrar como se tivesse acabado de nascer. Porque é que as pessoas são infelizes? Porque querem aprisionar essa energia, o que é impossível. Esquecer a história pessoal é manter esse canal limpo, deixar que em cada dia essa energia se manifeste como deseja, permitir-se ser guiada por ela.”
“É muito romântico, mas muito difícil. Porque essa energia está sempre presa a muita coisa: compromissos, filhos, situação social…”
“E depois de algum tempo, desespero, medo, solidão, tentativa de controlar o incontrolável. Segundo a tradição das estepes, chamada tengri, para viver com plenitude era preciso estar em constante movimento e só assim cada dia era diferente do outro. Quando passavam pelas cidades, os nómadas pensavam: ‘Coitadas das pessoas que vivem aqui; para elas, tudo é igual.’ Possivelmente, as pessoas da cidade olhavam para os nómadas e pensavam: ‘Coitados, não conseguem ter um lugar para viver.’ Os nómadas não tinham passado, apenas presente, e por causa disso eram sempre felizes – até que os governantes e os comunistas os obrigaram a deixar de viajar e os prenderam em fazendas colectivas. A partir daí, pouco a pouco começaram a acreditar na história que a sociedade dizia ser a certa. Hoje perderam a sua força.”
(…)
“O que fazer para abandonar a história que nos contaram?”
“Repeti-la em voz alta, nos ínfimos pormenores. E à medida que contamos, despedimo-nos do que já fomos e (…) abrimos espaço para um mundo novo, desconhecido.”
(…)
“Falta só um pormenor: à medida que os espaços vão sendo esvaziados, para evitar que nos causem um sentimento de vazio, é preciso preenchê-los rapidamente – mesmo que seja de uma maneira provisória”
(…)
“As coisas importantes ficam sempre – o que se vai embora são as coisas que julgávamos importantes, mas são inúteis, como o falso poder de controlar a energia do amor.”


Transcrevi do novo livro de Paulo Coelho, "O Zahir", pp. 194-197
Foi uma das partes que mais gostei... Este é um BOM livro...;)

quarta-feira, julho 06, 2005

Turbilhão de vida...

Amore Mio


Tudo gira...vou tentando orientar-me sem perder o meu equilíbrio e o meu centro.
Vou tentando chegar lá longe, ao fundo...
O caminho é único, e depois de escolher pisa-lo...não posso voltar atrás pois já o vento me levou consigo...
Depois, no meio da tempestade... há que abrigar-me da poeira e ver a realidade com nitidez.