sexta-feira, janeiro 30, 2009

Tentativa de gestão emoções - 2

Fugi daquele quarto... a sete pés.
Impotência.
Face à criança que defronte mim está em coma.
Face à mãe, que olha o seu filho com um olhar perdido, distante, de desespero. Como que à procura de alguém mentiroso que lhe dê a mão e lhe diga "Não se preocupe, o seu filho daqui a nada está bem".
E face a isto... fugi a sete pés.
Não consegui dali tirar nada de bom, nada que pudesse ver como positivo, nem mesmo para a minha formação. Só consegui observar a crueldade de tudo o que vi.
E, simplesmente não tinha palavras. Nada de mim brutava que pudesse dizer àqueles pais.
Nada que conseguisse afastar o que o meu olhar decerto demonstrava. Pena?
Da criança, dos pais. Da situação. E até de mim... que não sou suficientemente forte para ver estas coisas.
A minha gestão de emoções foi simplesmente... fugir.

Tentativa de gestão emoções

No olhar daquela criança …vi a efemeridade de tudo.
Mente desperta, corpo adormecido. Etiologia desconhecida para uma doença crónica, neuro muscular. Extremamente hipotónica. Fracturas espontâneas. Com diminuição acentuada da sensibilidade periférica. Mas uma criança belíssima… que para sempre se verá confinada a uma cama ou uma cadeira de rodas, e sempre dependerá de uma ostomia para respirar, e de um aparelho mecânico que a ajude nas trocas gasosas.
Sorriso puro, desconcertante… Gastrostomia de alimentação…
Alegria contagiante. E a impotência, de nada poder fazer para ajudar.

E cá fora… as pessoas agridem-se. Berram. Matam-se.
Esquecem-se do verdadeiro valor de tudo.
Esquecem-se da alegria de ajudar. De proporcionar um sorriso.
Só querem os seus próprios sorrisos proporcionados.

E eu? Eu continuo na busca da essência, se existir.